sábado, 21 de dezembro de 2013

Mas afinal, que caminho é este?

    "Porque é que Pedro Passos Coelho e os seus camaradas insistem nesta austeridade sem fim à vista?"

    Acho que é a pergunta que paira na cabeça de todos os portugueses.

    Será ele má pessoa?
    Será que foi vítima de bullying na escola e concebeu um plano maquiavélico para se vingar?
    Será que ele é uma pessoa burra mesmo?

    Não creio que nenhuma destas seja a resposta.
    A resposta prende-se com as poucas alternativas, com a herança deste governo e com a falta de soberania, mas não me impede de considerar que este caminho está condenado ao fracaço e portanto está ERRADO.
    Bem sei que actualmente estamos com a corda na garganta, e que precisamos do apoio dos parceiros europeus para fazer seja o que for, mas isso é razão para que deixemos que nos apertem a corda cada vez mais até ao enforcamento final? Fica a pergunta no ar...

    Agora o porquê de eu considerar este caminho ERRADO.
    Queria partilhar esta imagem do OE para 2014, para perceberem melhor onde quero chegar...
  


    (Fonte: http://www.dgo.pt/politicaorcamental/Paginas/OEpagina.aspx?Ano=2014&TipoOE=Proposta+de+Or%u00e7amento+do+Estado&TipoDocumentos=Lei+%2f+Mapas+Lei+%2f+Relat%u00f3rio )

    A vermelho está assinalado o montante total que Portugal vai pagar no ano de 2014 em Educação e Saúde, ou seja, € 6.627.311.432 e € 8.492.696.643 respectivamente. Agora, € 7.239.118.126  é o montante global de JUROS(apenas!) que pagaremos em 2014. Mas se a Dívida Pública continua a aumentar, e em 2013 pagamos € 8.013.824.636, afinal como é que vamos pagar menos juros em 2014 do que em 2013, se a dívida é maior? Provavelmente porque foi negociado um período de carência de juros, que na prática só nos faz pagar mais juros ainda, apenas mais tarde...

    Agora imaginem uma pessoa gastar tanto em JUROS (carro ou casa) como gasta em comida ou na renda da casa (despesas essenciais)... não estou a falar sequer da amortização da dívida, porque isso ainda assume proporções mais assutadoras (Ver Operações da Dívida Pública!!!). Ou seja, esta situação é surrealista e INSUSTENTÁVEL como está, será necessária a renogociação da dívida mais tarde ou mais cedo, todos sabem disso, só não o podem dizer abertamente, eu posso.
    O busilis da questão é que, quanto mais tarde se fizer essa renegociação pior. Todos os anos são retirados dos portugueses em forma de impostos o equivalente ao orçamento de todo o Ministério da Saúde, para serem enviados para o exterior aos nossos credores. Ou seja, cada ano estamos mais pobres, a pagar uma Dívida Pública monstruosa, que já se sabe à partida que não vamos conseguir pagar. Quanto mais cedo se fizesse essa renegociação, maiores condições teríamos de re-erguer a nossa economia e de conseguir pagar o restante da Dívida Pública.
    Desta forma, apenas nos estamos a enterrar cada vez mais até à inevitabilidade final da renegociação da Dívida Pública, só que nessa altura estaremos ainda mais pobres e com menos condições de pagar o restante da Dívida Pública.

    Portanto, a solução passa por renegociar a dívida (porque é inevitável, e quanto mais cedo melhor), mas não só. E quanto aos cortes? A solução passa por aumentar os salários? Não, porque no final da linha se aumentarmos os salários, as pessoas compram mais (o que é bom), mas como o que compram vem tudo de outros países, o dinheiro acaba sempre por ir lá para fora... A solução para Portugal passa por produzir cá, seja para fora (exportação) seja para o mercado interno (substituição de importações). Só assim é possível acabar com os desiquilibrios gritantes das nossas contas.

    Resumindo, Pedro Passos Coelho, ve lá se começas a pressionar a europa para a urgência de renegociarmos a dívida, e se dás condições aos nossos de criarem riqueza, não é dar subsídios, é deixar as pessoas trabalhar e parar com os cortes cegos em nome de uma "reforma estrutural" que não existe.
    Reforma estrutural seria a desburocratização de processos, justiça mais célere, revisão das matérias curriculares  do nosso ensino, implementação de processos de Controlo de Gestão e Avaliação de Desempenho adequados à Função Pública, entre outras que agora não me lembro...

    Cortar porque é preciso cortar não é reforma coisíssima nenhuma, é uma urgência imposta pela troika, e que não está nem vai dar bom resultado.

    Aproveito para vos desejar um ótimo Natal, e que se faça luz nas cabeças destes senhores!
 
    Sábado novo tema! Até o Passos vai precisar de ler...
   

2 comentários:

  1. Concordo com o fato de Portugal ter que renegociar a divida e quanto mais cedo melhor porque será o caminho a tomar mais dia menos dia. Porém, não concordo com o fato de para com a "austeridade" já. Penso que os cortes e as reformas têm que acontecer e quanto mais rápido e bem feitos melhor. Se essas reformas não acontecerem e se apenas renegociarmos a divida vai acontecer como em 1977 e 1983 e não resolveremos nenhum problema quer estrutural, quer orçamental, o que significa que daqui a 10, 20 anos teremos outra vez o triunvirato em Portugal.
    Penso que a renegociação da divida Portuguesa deveria ser acompanhada com um pacote de reformas estruturais que permita reformar verdadeiramente o estado, cortar onde se tem que cortar (PPP, entidades publicas existentes sem sentido, etc...) e não com medidas que só servem para hoje ou amanha.
    P.S.: Digo porém que não conheço a proposta em si, mas penso que o sistema de convergência das pensões era um passo em frente no que diz respeito à reforma do estado.

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    1. "Penso que a renegociação da divida Portuguesa deveria ser acompanhada com um pacote de reformas estruturais que permita reformar verdadeiramente o estado, cortar onde se tem que cortar...".
      Mas isto não são reformas, isto é simplesmente cortar. Se forem precisos extinguir alguns serviços que não fazem sentido, não digo que não. Agora cortar por cortar já se viu no que dá. Cortam 15.000.000.000 de euros e conseguem uma poupança líquida de menos de 5.000.000.000. Porque deixam de receber uma série de impostos directos e indirectos, já para não falar na Segurança Social que também recebe menos receita e paga mais subsídios e na vida das pessoas (que é esquecida quando se fazem contas).
      Isto são "reformas estruturais": a desburocratização de processos, justiça mais célere, revisão das matérias curriculares do nosso ensino, implementação de processos de Controlo de Gestão e Avaliação de Desempenho adequados à Função Pública, entre outras que agora não me lembro...

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