Já todos devem estar fartos de ouvir que é mau cortar na despesa, mas é ainda pior subir os impostos. Será mesmo assim?
A meu ver esta afirmação não passa de mera ideologia, que na prática é inútil para resolver seja o que for.
Qualquer pessoa (médico, electricista, informático, gestor, professor, militar, etc) sabe que, para se resolver um problema é preciso em primeiro lugar, acertar no diagnóstico. Se eu sei que o doente tem gripe não lhe vou receitar um medicamento para o colesterol pois não? Sejamos pragmáticos e realistas.
Esqueçam todas as ideias pré-concebidas que possam ter em relação a impostos/despesa.
Na prática, o que é um aumento de impostos?
É retirar rendimento disponível às famílias para as funções do Estado.
O que é na prática um corte da despesa?
É retirar rendimento disponível às famílias, em prejuízo das funções do Estado.
Nos dois casos resultam fluxos de dinheiro que equivalem a: +Estado, -Famílias.
Qual é afinal a grande diferença entre as duas?
A grande diferença é que os impostos são universais e incidem sobre toda a população, de forma mais moderada.
Já cortes na despesa (salários/pensões/despedimentos) incidem sobre setores mais restritos (função pública, pensionistas) e de uma forma muito mais violenta para os afetados.
Já cortes na despesa (salários/pensões/despedimentos) incidem sobre setores mais restritos (função pública, pensionistas) e de uma forma muito mais violenta para os afetados.
Portanto, afinal qual devemos escolher? Depende do grau de solidariade entre as classes. Se não houverem funcionários a mais, se não houverem serviços inúteis, se é preciso que o país equilibre as contas públicas porque carga de água se há de atingir um setor em particular? Faz muito mais sentido um esforço menor distribuido por todos, do que a ruína de algumas famílias...
Não quero com isto dizer que cortar na despesa é mau, com certeza há relatos dos vários setores em que há desperdícios e regalias exageradas, corte-se no que é preciso cortar. Caso contrário faz mais sentido destribuir o mal pelas aldeias... Digo eu.
Quem defende cortes de despesa que não
têm que ver com ineficiências, desperdícios e regalias exageradas, ao invés de subir impostos, só pode pensar três coisas:
1 - Há funcionários a mais;
2 - Há serviços públicos em demasia;
3 - Função Pública e pensionistas são priveligiados.
Reparem que eu não estou a dizer que as hipóteses anteriores não possam ser verdade, mas a meu ver então é preciso fontalidade, porque não são essas as explicações que eu vejo frequentemente darem...
Aqui fica uma tabela onde está a carga fiscal em percentagem no PIB (2011) na União Europeia, para reflectirem um pouco.
Portugal está com 36,1% a meio da tabela. Agora descubram para que lado estão países como Dinamarca, Finlândia, Alemanha, França, Bélgica, Holanda, Itália, Reino Unido, Luxemburgo e para que lado estão países como Grécia, Espanha, Eslováquia, Eslovénia, Chipre, Malta, Polónia e Roménia.
Fica a dica...
Ranking of total tax revenue by Member States and EFTA countries in 2011 as a % of GDP
Fonte: Eurostat, 2011
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