terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cortar despesa ou subir impostos? Esta tem truque...


    Já todos devem estar fartos de ouvir que é mau cortar na despesa, mas é ainda pior subir os impostos. Será mesmo assim? 

    A meu ver esta afirmação não passa de mera ideologia, que na prática é inútil para resolver seja o que for. 
    Qualquer pessoa (médico, electricista, informático, gestor, professor, militar, etc) sabe que, para se resolver um problema é preciso em primeiro lugar, acertar no diagnóstico. Se eu sei que o doente tem gripe não lhe vou receitar um medicamento para o colesterol pois não? Sejamos pragmáticos e realistas.
    Esqueçam todas as ideias pré-concebidas que possam ter em relação a impostos/despesa. 
    Na prática, o que é um aumento de impostos? 
    É retirar rendimento disponível às famílias para as funções do Estado.
    O que é na prática um corte da despesa?
    É retirar rendimento disponível às famílias, em prejuízo das funções do Estado. 
    Nos dois casos resultam fluxos de dinheiro que equivalem a: +Estado, -Famílias.
    
    Qual é afinal a grande diferença entre as duas?
    A grande diferença é que os impostos são universais e incidem sobre toda a população, de forma mais moderada.
    Já cortes na despesa (salários/pensões/despedimentos) incidem sobre setores mais restritos (função pública, pensionistas) e de uma forma muito mais violenta para os afetados.
    Portanto, afinal qual devemos escolher? Depende do grau de solidariade entre as classes. Se não houverem funcionários a mais, se não houverem serviços inúteis, se é preciso que o país equilibre as contas públicas porque carga de água se há de atingir um setor em particular? Faz muito mais sentido um esforço menor distribuido por todos, do que a ruína de algumas famílias...
   
     Não quero com isto dizer que cortar na despesa é mau, com certeza há relatos dos vários setores em que há desperdícios e regalias exageradas, corte-se no que é preciso cortar. Caso contrário faz mais sentido destribuir o mal pelas aldeias... Digo eu.

    Quem defende cortes de despesa que não têm que ver com ineficiências, desperdícios e regalias exageradas, ao invés de subir impostos, só pode pensar três coisas:
    1 - Há funcionários a mais;
    2 - Há serviços públicos em demasia;
    3 - Função Pública e pensionistas são priveligiados.
    
    Reparem que eu não estou a dizer que as hipóteses anteriores não possam ser verdade, mas a meu ver então é preciso fontalidade, porque não são essas as explicações que eu vejo frequentemente darem...
    
    Aqui fica uma tabela onde está a carga fiscal em percentagem no PIB (2011) na União Europeia, para reflectirem um pouco.
    Portugal está com 36,1% a meio da tabela. Agora descubram para que lado estão países como Dinamarca, Finlândia, Alemanha, França, Bélgica, Holanda, Itália, Reino Unido, Luxemburgo e para que lado estão países como Grécia, Espanha, Eslováquia, Eslovénia, Chipre, Malta, Polónia e Roménia.
      
    Fica a dica...


Ranking of total tax revenue by Member States and EFTA countries in 2011 as a % of GDP


  

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